19 de novembro de 2009

Se Tu

Se tu pudesses entreter-te com meu acaso
Seria eu o dito cujo dita a Tua palavra
Aquela que arde em sua boca

15 de novembro de 2009

A Natureza da Luz


O desejo inconfesso do ser humano de aparecer, de existência, como origem da vida, talvez seja o desejo primevo dessa categoria de fenômeno que se chama Luz, que veio à tona como um desejo de existência.

9 de novembro de 2009

Repente da Doce Água-Viva


A vida é ácido que jorra água doce

Mas é também fonte de água doce que sucumbe aos malefícios das formigas

A vida é morte aproximada

É espírito

Divina


Marceneiro como espécie põe a estaca no chão

Vida que merece, arranca a estaca da árvore põe a cara na chapa

E ainda NÃO diz: Não quero mais não


Quando fenece a culpa,

Dobra o Passado

O põe na mão

Oferece ao instante o presente

Adormece o pêlo arrepiado

que se solta como música de-Repente

4 de novembro de 2009

Riomar

Aqui o rio e o mar se confundem
e começam a dançar
e começam a nadar
e a chamar
você e eu

Metáfora do Amor

Sexo é Poesia. A paixão não é a metáfora da carne, e sim a carne é a metáfora da paixão.

Twitter

Olá, queria convidar aos leitores que tem ou não twitter a entrarem no meu espaço lá no twitter, que tem novidades sobre o blog Música Contemporânea e outros blogs que mantenho.

http://twitter.com/caiogranello/

Fricção de Segundo

Nessa ficção do meu tempo subjetivo
Fraciono o segundo segundo
que trancou meu peito.
Badalo o sino, que segundo eu,
é o ritmo do pensamento do tempo

Como é difícil dar tempo ao tempo
Será que não poderia vender em vez de dar ao tempo?
E melhor, comprar algum tempo do tempo?

28 de outubro de 2009

Terrível Sangue Preto


Com seu casaco estampado apenas pelo sol, e se arrastando pela calçada, na travessa da Rua Paraíso com a Constantinopla, um caquético senhor de idade com o vento roubando seu resto de idade, subia a rua rufando suas botinas que emprestavam ao chão um pouco de história que anda.

Sabia que aqueles não eram passos comuns. Não comuns de se ver, não comuns de se esquecer. Regurgito aqui as palavras que ouvi dele na passarela do seu assovio: ele assobiava cantigas de ninar que pareciam ser dirigidas a ele mesmo e que até adormecia os pássaros sem coragem.

Passeando por entre arbustos sem galhos, extinguidos pelo verão desertificante que assolou a área no mês passado, avistou uma moçoila jovem e atraente que caminhava desfilando seu ventre recém bronzeado com um piercing no umbigo que ganhou do namorado no aniversário de dois anos de seu primeiro ato de prazer silvestre.

Ela estava desacompanhada. Parecia estar só. Parecia, pois o senhor andarilho disforme a seguia de longe, acompanhando-a com seu olhar anorexicamente assassino.

Logo foi ele se aproximando.
Veja que pecado. O andarilho arremessou nela um objeto. Direto e abjeto, o que ele lançou, o instinto de vida da moça desviou, declinando assim o golpe que marcou meu susto.

Determinado em sua covardia, tentava correr atrás da moça, mas inexplicavelmente começara ele a lutar consigo mesmo. Lutava e se debatia como um cão sem raça correndo atrás do próprio rabo.
Naquele momento o céu ficou escuro. Escuridão... Um sangue jorrava de seu peito, escuro, irreal. O homem a beira de sua extinção, alucinava...

Dizia ele: “Corre dissolvido o bolo de chocolate meio amargo que entope minhas veias.”
Se era um Infarto ou Alucinação, não sabia mais não...
Absolvido estava da sua dissolvida e doce covardia? Entre veias e teias, alugou ele o corpo para quem?

Para este Terrível Sangue Preto...

Matemas Espirituais


Dentro de meu sonho aprendi
Que sou de carne
Sou de osso

Transcendental é meu sono
Me indica partes
Partes
Partes Tu Partes Eu parto pra onde?
Partes que não juntam
que se mesclam
que indicam

Indicam que sou
apenas uma parte
de um universo doce
Que Desapropria
Te apontando o muro, a finitude

Ou a Esperança
Da eterna prece

Seus olhos puxados


Seus olhos puxados, originais pecados
Desses que quase provo, mas nunca mais saio
Me cerram em dois
Metade minha enrijece
Metade outra respira o seu ar e enlouquece

Ventile em mim a brisa quente
do seu corpo ardente
Sem mira
me acerte em todos meus cantos
com o escanteio dos seus encantos
Na esquina do seu quadril
Entre a herdada ternura e o desejo febril
Encontro as fagulhas
Que acendem a toda hora este pavio

23 de outubro de 2009

Vício Brasileiro Contemporâneo



Filiz é aqueli qui briga
Aqueli qui faz
Aqueli qui ganha
Qui vai atrás

Aposenta meu cheiro
Não basta ter vício, tem que ser brasileiro
Eu creio
Aqui na Interneti tanto faiz
Escrevem sem freio
sem acento
sem vogais

Ai, Deus, perdoa esses rapaiz
Até vc escreve certo por linhas tortas
Porque eles, qui não tem função, educação e nem emprego
Vão correr atrás?

20 de outubro de 2009

Recentes publicações pela Net

Olá, pessoal,
Segue links de textos meus publicados recentemente em sites e blogs da internet...
Abrs...

http://www.nucleotavola.com.br/integra.php?integra=127 - Resenha na Revista Távola sobre o livro "A Hora da Estrela" -Clarice Lispector – Entre a Ficção e a Realidade.

http://www.nucleotavola.com.br/integra.php?integra=1 - Pequeno Artigo publicado no Site do Núcleo Távola : Budismo e Psicanálise: Um caminho possível ?

http://www.luz-e-terra.com.br/diversao/materia.php?id=84 - A Arte da Sublimação

http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2009/07/a_arte_da_subli.html - A Arte da Sublimação

http://recantodasletras.uol.com.br/contosdefantasia/1836508 - Conto - "O Pulo do Gato em Chamas"

16 de outubro de 2009

Nas asas da esfoliação


O pássaro pensa:
“A chuva lá fora me deixa em estado de atenção
Rubra, negra ou parda
O vento em rajada
Faz a chuva cair deitada
Neste universo inteiro
Vejo os ares por onde vôo
Como uma nota semibreve no atoleiro
A chuva desfolha meu corpo
Quando dorme o vento
A chuva antecipa a anunciação
Do que é real, perigoso e belo
Como um verbo sem conjugação
Mas sem perder a classe
... As asas com coragem partem
Sem perder a ação e a entonação”

15 de outubro de 2009

Quem tem medo do Ateísmo?

Franco atirateísta
Destila seu gastro-intestinal livre-arbítrio
Não julga nem receia
Não espera que seja julgado após a Santa Ceia
E se tiver dor
Melhora no almoço
Comendo aves
Sem cem pai-nossos
Sem pudor e alvoroço

4 de outubro de 2009

Na sela do meu amor


Olha que coisa mais bela
você na sela do meu amor
Veja a contradição
do seu lindo corpo no meu duro colchão
Assimile toda minha vontade
Todo meu tesão

Quero erguer meu desejo pontudo
E acariciá-la como um som que percorre o diapasão
Afinando-te como uma musical nota e deixando-me mudo
Transformando-te assim em nobre veludo

28 de setembro de 2009

Veraneio no Coração

Quero

Desejar meus anseios milenares
Aceitar meus erros infernais

Veranizar meus encontros invernais

Tomara que Caia

Acalentadora e Dolorosa Espera
Que o dorso de seu corpo
Caia sobre o meu
Não estarei em desvantagem
Minhas livres mãos passeiam
Uma que te acompanha
E a outra que por tuas encostas faz campana
Atravesso o vão quente e escuro
Rompendo as paredes suadas com um belo acorde
Tocando a ignição
De sua "Pequena Morte"

15 de setembro de 2009

Bússola interior

Bússola interior
Procure uma gruta
e encontre um lugar
onde eu possa ser achado

Agite as essências que não viraram ácido ainda
É urgente, preciso de algo doce
Algo que não corroa meu ser e não machuque

por hoje é só
amanhã não sei o que mais tirar dessa cartola...

6 de setembro de 2009

Conto - O Pulo do Gato em chamas


Esclareço aqui para vocês, o voto de castidade que o gato Fanjo fez.

Desde que nasceu, jurou guardar à contento seu falo, seu vulto. Vulto, porque por não conseguir se olhar por baixo, achava que tinha um troço insosso no meio de suas pernas. Não conseguia ver seu falo como os cachorros conseguem o ver quando arqueiam seus corpos junto aos postes e pernas amareladas de seus donos.

Por assim explicado, eis que surge um dia uma bela cachorrinha, gulosa que quase morde seu pinicoso. Neste dia homérico, o gatinho Fanjo, domesticado por si mesmo, sentiu algo diferente. Suas pupilinhas dilatadas quase lhe explicavam silenciosamente que não precisava enxergar para desejar. Foi assim, num rompante, que o gato antes calado, frígido (se é que pode-se dizer assim), impotente, estéril e intocável, começou a miar. E miava alto, quase gritando.

Todas as vezes que passeava, miava à procura da bela cachorrinha.

Em um dia atípico, que os pássaros não voavam no céu, e os homens com seus cornos evitavam a Torre Eiffél, o gato pulou, e em meio à turbulentas chamas instintivas, alçou vôo esplêndido ao mar, em que dizem que os peixes-pássaro anunciaram sua morte e lá se tornou eternamente deles. Os peixes-pássaro cuidaram de seu corpo. Um honroso destino para quem não conseguia destinar seu desejo. Conseguiu nadar e até voar!

29 de agosto de 2009

Coração Descabeçado


Dentro de minha cabeça
Bate um coração descompassado
Mente desossada
Descompensada pelos rastros do passado

17 de agosto de 2009

A Palavra, Deus, e o Sensual Amor

Extrasilábico
O que está acima da tônica
É o que está além da fé
Rezo Um Terço e vejo se dá pé
Estou desacordado
Tento no Quarto, Um Meio apressado
Dói meu amor sequestrado

Pois só um sangue,
um suor compartilhado
É o que faz eu ser inteiro
e não partido e atolado
Esperando, aqui, a pé
Um dia encontrar Deus, ... Até!

8 de agosto de 2009

Ícone da Silva


Nos deixou com inúmeros vestígios
De uma existência inexata
De inexorável desmedida paixão
Pelas retas de Interlagos
Os lagos passavam velozes
E gotas d’água
Eram chuvas desencaradas de pura emoção

Anteveio ao mundo
Predestinado
Deu seu testemunho
E em kilômetros por segundo
Cruzou a curva sem tração

Não tem problema
Esse era seu destino
Desatinado por si mesmo
Não fingia ser celebridade
Não fingia ser ator
Sequenciava de ouvido
E de memória ávida
O barulho de seu motor

Aponta livre na reta
Acenando sua bandeira
Deixando na pista
Sua nobre compaixão
Sua alma nos deixa
Sem pistas
Sem razão

27 de julho de 2009

Obnubilado


Assaz obnubilado estou
Mulher atroz
Me encobre as vistas seu ventre com seu cheiro
No encalço do diâmetro atrasado do seu pescoço
Mordo-o com afagos e com tesão arteiro
Me encontre ali no canto ácido do sótão
Que te direi quem tu és

Sua alma virginal é minha
Hoje e sempre
Seja contente em ganhar tudo de mim
Seja obediente, se alinha

Sua alma virginal é minha
Hoje e sempre
Seja contente em ganhar tudo de mim
Seja obediente, se alinha

21 de julho de 2009

Aberta pra Balanço

Mulher, espírito livre
Vezes, por matos densos se embrenha
Pega o atalho e se empenha
Sai em prantos desafiando sua dor
Não pede licença ao seu homem
De sua má-sorte criador.

E no terreiro dele, sem seita nem seta
Onde a fonte de água doce jazia
Agora já seca
E do que sobrou
Acolhe a folha seca que no caminho
Ela com carinho não mastigou
Pra embrulhá-la na memória
O molhado beijo
que ainda de seu beiço não desaguou

Crenças e sofrimentos insalubres

Minha cabeça coroada de espinhos
Meu Deus
Não é igual à Sua
Lavagem cerebral
Não faz espuma

Brilhante é a água do mar
Que iluminada pelo Sol,
Rei maior
Não carece de pompa
Nem de erguer um altar
Desta água não preciso beber
Desta água não preciso provar

A Medida da Sublimação

Ato concreto ou proferir desejos sem objeto?
Posso as palavras aqui medir?
Ou atitude desmedida preferir?
Por favor, me diga
Quais fatos tu queres ouvir?
São ou embriagado
Sansão matou o leão pardo:
Não são palavras malditas
Palavras eruditas
São palavras ainda não ditas


Ditongo ou Tritongo
Eis a questão
Prosear frases sem tesão
É como transar sem dizer palavrão
Sublime a vida
Sublima a ação
Verter este sangue em vocábulos
Põe meu mundo em rotação

19 de julho de 2009

Macaco-Velho (Uma Carta à um "irmão")

Homem um tanto impróprio
Que pisava no calo das madames
Sutilezas da meia-idade

Para o jovem débil
Não percebe a onda do caos
Que habita o inferno degradê feminino

A mulher a que tu declamas
Tateia por outros olhares
Outros tipos
Mais triviais do que seu troncoso discursar

Apelo à nossa irmandade
Pois é um tremendo despropósito
Confiar suas penosas noveletas
À quem certezas de nada tem
Inclusive de suas pragmáticas etiquetas

9 de julho de 2009

Nos Louros da Infância



Quando você quiser conhecer uma pessoa de verdade,

veja uma foto dela quando criança.









Despistei o padre,
A igreja do domingo,
A cerveja, o velcro da carteira, o chamariz da praça,
A vela,
O lampião,
A lâmpada quebrada,
O juba, o lula, o trapalhão,
Deixei o dinheiro de lado,
Rompi com minha noiva
E comprei um furgão
Desci à toda
Não senti o vento
Nem andei na contramão
Quando dei a meia volta
Percebi que era tarde
E minha mãe chamou no beco:
“Filho, tá tarde,
Vem dormir e apaga essa televisão.”








8 de julho de 2009

Zero à direita


Acontecimentos passageiros
Prazeres fugazes
Olhares perdidos.
De quantos vinténs se faz o mouro?
Será que posso te faradizar com minhas palavras?
De que pequenas paixões e alegrias são feitos nossos porcos dia-dias?
Prefiro me jogar no bárbaro mar cheio de tubarões
Do que ver as gaivotas passarem sem dar um tchau
O adeus da criança no parque é passageiro
Tão quanto a moeda que dou ao transeunte quando estou de motorista
Cruzar os braços não é tão feio quando o rasgo da gravata está a vista
E se minha vista ficar embaçada , por favor não se engane
Me chame e pergunte meu nome
Estarei te vendo mesmo assim
Erga o braço, não perca tempo e se atire em mim
Porque não saberei de antemão qual olho usar para enfim te dizer sim.

25 de junho de 2009

Sua mais bela Sombra

Cavalgar no seu paraíso
É como me entorpecer com a força da luz
E a estrela que passa sem decadência
Força o couro e expulsa a prece
Vem cá e me aquece
com seu tolo sorriso doce
e deita em mim
Jura aquilo que te esconde
E abrace o que nunca falar-te comecei

E nem sei por onde
Porque se caso revelar-te
Até o que há em sua sombra virará arte

Sem pressa

Meus fantasmas alardeavam o futuro:
"Jaz em mim a fonte do fim"
Precipício jocoso que arde em fogo
Temia-os e me perdia

Naquele Osso oculto que há no coração
Quebrou-o com tanta força
Por um Eco que fez brilhar a oração

Nos mais velhos não posso crer
Dos mais novos aposso-me da fração

Em dois segundos
sei que sentirei a mais breve paixão

Inclusive deixo aqui
Pra vocês
A clara que faz o ovo,
Sem panela,
Sem pressão.

12 de junho de 2009

Corpus realmente tristes

Corpos e mentes atordoadas pelo espaço visceral da vida paramentada da sociabilidade do patético.
Para José Saramago, em suas poderosas reflexões acerca do "corpo de deus" em tempos de Corpus Christi, fala sobre a crueldade da sociedade e seus comportamentos irônicos e embalsamados de poucas verdades.
Em seu blog, Saramago diz "que perdemos capacidade crítica para analisar o que se passa no mundo"...

Vejam e escutem o pensador:

http://caderno.josesaramago.org/2009/06/12/corpo-de-deus-2/

7 de junho de 2009

Mico homem

Macaco liberto
Solto no parque das fantasias
Abre o porão do incerto


Empena as cortinas de sua casa
De tanto não abrir a janela
Cultivou o mais caro algodão da cela
Caro e custoso, pois dele não abriu mão
Sabe que tem um imenso coração
Mas não traduz em cores aquilo que vê como sensação


Não nos mostra sua cara
Não divide a ceia
E quando na vida encena
Semeia a falsa salvação


Liberta o vácuo deste lótus
Girando a voltagem da erupção
Que no mundo dos homens
Esta prometida libertinagem
Não seja pura imaginação

3 de junho de 2009

Odes Assimétricas à Lua

Hoje eu quis sonhar
Sonhar com um dia de noite clara
E que de dia a lua pudesse ver

Famigerada e circense
Ó Lua, bem amada
Olho-te e me enobreço
Fantasio um espetáculo sem endereço

Vastidão mágica
de esperança única
Audaz Expressão
De costas não te vejo
Mesmo assim sua luz ensejo
Em sânscrito
as palavras não tem clarão
Em português
eu juro que te canto
Mas há uma língua
Que bordada em ti
rouba um significado
Do menos triste,
meu simples coração.

27 de maio de 2009

Salvaguarda

estas palavras a seguir vem só do coração.
então elas não tem brilho, cor nem luz, são opacas, rápidas, diretas e secas...
são até sem graça, supérfluas demais, mas verdadeiras, tamanha a simplicidade:

Escrever às vezes me salva...
Me salva de me perder de mim mesmo
Sou um nascituro.

23 de maio de 2009

Me tire desta pele... Da poesia à "violência"

Um poeta disse ao outro:
Sou um roedor de unha
Um soprador de vento

Disse o pai à filha poetisa:
"Não publique isso"
As tartarugas não andam,
não falam, não se ajeitam.
Seu papo não me convence

O pai:
Retiro-me e insisto
Poesia do asfalto é a melhor coisa que tem
Enquanto o mundo borbulha
Você vive aí, fazendo cartinhas de amor
Parece viver em vão
Enquanto a dor atormenta
Por não deixar-me são

Continuo andando
Atenção às placas do paraíso:
Rua alternativa à direita.
Me passa o café
Enquanto bebo alucinado
estou dispensado de seguir o caminho
Enquanto viajo
estou dispensado de ver o vizinho

A filha:
Grande atriz sou
Que no esgoto do escuro
Escondo a maldade sincera
que há no mundo.

Quem? :
Malandro é estar de prontidão
Para esquecer da verdade
e ficar andando na procissão.

7 de maio de 2009

Clarice - A Hora da Estrela - Impressões Subjetivas


Irei começar e terminar pelo fim.

Desmistificar a morte. Acho esse um dos propósitos implícitos de Clarice Lispector no final do livro "A Hora da Estrela", publicado pouco antes de sua morte. Clarice (escrevendo através de um narrador fictício chamado Rodrigo S.M.) , no final do livro, ao descrever a morte de Macabéa, sua personagem principal, não elabora somente a morte dela mas a sua própria também.

Ela, que nas indas e vindas da personagem em sua narrativa genial, usou e abusou de enigmatizar o simples, expondo o leitor à uma incerteza quanto ao destino de Macabéa. Mas que outro destino poderia ela ter ? Poderia ser um final bom, gratificante, mas o fim necessário à essa estória tinha como escopo a morte como passo final e decidido. Não sei quanto Clarice Lispector tinha de conhecimento do seu próprio estado de saúde na época em que escreveu este livro. Ela dizia que morria quando não escrevia. Tentando desaparecer nas vestes do narrador Rodrigo S.M., fica mais clara a intenção da autora de desaparecer junto ao desaparecimento de seus próprios personagens. Ela, que escrevia certamente através de formas autobiográficas, talvez teve a tarefa inconsciente de lidar com a proximidade de sua morte que a fez elaborar, como diz ela segundo as palavras no livro:

"Nestes últimos três dias, sozinho, sem personagens, despersonalizo-me e tiro-me de mim como quem tira a roupa. Despersonalizo-me a ponto de adormecer."

Clarice projeta si mesma na imagem da personagem, que vive na mente dela, estabelece uma relação com algo de que Clarice poderia ter sido. Isto é, poderia ter sido uma pessoa qualquer (se é que já não o era segundo ela), fato que a deixa aturdida de alguma forma. O que faz com que sua própria morte seja de alguma forma amenizada e banalizada.

Clarice, neste livro, apresenta uma excelência na construção dos personagens, descrevendo seus personagens através dos seus motivos e da implicação do passado de cada um deles no presente inexplicável, que sem as marcações quase exatas de Clarice, seriam apenas atos incompreesíveis por si só.

2 de maio de 2009

Minha inspiração quase divina

Quero me debruçar sobre esse sentimento
Tecer fantasias que te tirariam o fôlego
Suas páginas viradas
seriam todas jogadas fora
Não precisarias mais comprar
Nem pedir nada em troca
Pois o que brota
Está conforme seu pecado
A parte que me toca
De sua boca amada
Há de não mais ficar calada.

17 de abril de 2009

Cada coisa em seu lugar

Sou um remanescente do acaso. Protótipo da rápida e fulgurosa existência. Permaneço livre quando tenho as garras afiadas. Pra pegar a tudo e a todos. Tudo que for levemente bom e imensamente perigoso. Caminho por emendas tortuosas. As vagas que busco sempre estão mudando de lugar. Encontramos pessoas certas em horas que não estamos preparados. Encontramos a hora certa quando nos despreparamos. O encontro verdadeiramente inefável ainda está por vir.

5 de abril de 2009

Santa Paixão


Qual é o Jogo ?
Tanta Birra
Desejos matutinos
não se provam no altar.
Unido ao seu fogo
fogo voraz...
Escondida por trás das vestes
que se vestem como mea culpa
"Não posso, não quero
te aborreço, te esqueço"
Sentimento proibido
Tu tentas, mas não consegue
Calor denso que desce de teu ventre
Ascende meu barro intumescido
Delira o cordão do seu umbigo.
Tenho medo desse amor dormente
Que quando acorda de lado
Estremece em afeto desvairado

27 de março de 2009

Overdose de Vida


Ó, Parda Vida

Entusiasmado Desabafo

Verde vítreo

Arrojado casulo nos metemos

Entre facas e flores

Entre neurônios e amálgamas,

dispenso tudo isso.

Para sermos "livres"

Temos que ser que nem meteoros

Flechas de adrenalina

Cruzando o dia-a-dia

Dia após dia

Pois o fim
Beira a nascer...

22 de março de 2009

Ninho


Tem horas que parece que se perde a condição de falar de solidão. É como um estranho ninho dentro de si que insiste em gritar. Dor incalculável que está lá independente de qualquer coisa. Pode se estar rodeado de pessoas, conhecidos, desconhecidos, amando, desamando, mas o ninho continua lá. Colocar tudo no papel, não consome mais o resto que se encontra lá dentro do ninho. O que é esse resto? O preço pago por viver?

21 de março de 2009

Similitude dos opostos


Os opostos se atraem
Os holofotes em chamas anunciam:
Os postos de trabalho fecharam
As cadeias estão abertas
As frases marcadas com X não são as respostas corretas.
Coar o caos é como semear na chuva
Impedir o amor de encontrar-te
É ir de encontro a si mesmo?
Sugiro um giro e que atrasem seus relógios
Mesmo quando os opostos se traem.

17 de março de 2009

Estranho perfeito


Arquivo meu saber nas pastas malogradas
Encostadas no chão duro e suspenso
Dizem o que já foi...
Mas o tempo dirá o que ainda é.
Pasmo verifico as entranhas distorcidas da mediocridade servil das belas covas das mera- vilhosas.
Atrás dos meus campos conhecidos se escondem ramos de flores nunca vistos
Estou acordado mas não vejo o que está a sua frente
Dou dois passos e enxergo menos
Olho pra trás e tudo vira som
Sombra viril e deitada ao chão grita
E grita com tanta força, que pasmem: Nunca ninguém ainda escutou...
Ou o já desvelado ainda não se encontra revelado
Aos olhos teus.

9 de março de 2009

Contas do Cônjuge


Contei a ti
Confiei
Fiei seus galhos e comprei sua imagem
Quem paga a conta?

17 de fevereiro de 2009

Parto


Mulheres insensíveis

Parto que me cospe e beija

Mulheres em sensíveis dores latentes no quarto

Adormecem elefantes

Nos vestíbulos assopra o universo

Universo inteiro que se desloca

E move a honra honrosa

Parto de ti

Parto em ti

Parto em mim

Esquadros e versos rasgados

Não mais vértices

Não mais paralelos

Verticais como o tempo

Horizontais tão quanto à cama

Me disperso e me encontro.

26 de janeiro de 2009

Seus olhos inventados por ti


Quem olha os teus olhos é porque se cala
Não tem mais aonde ir ou o que despir
Sente na manga o gosto do morango
E enruga o rosto acordado
Parece ela
Mas é a peça de uma vela já derramada
Seu avô me disse na encruzilhada
Vermelho estou
Assim.
Verdadeira padeira que um dia o pão inventou.

ador que nasceu do Oboé

Peço ajuda ao Oboé
Madeira de ébano
Evolução diafragmática
Expiração cutânea acelerada
Meu mais povo de dentro
Parece um polvo
Que enxuga o que tem e o que não tem de aura e horas perdidas
Dentro do meu casulo nuclear sentimental
Esperava amor
Dela só veio mais dor
Ador
Que fala
Expõe a canção explicitamente, desfiguradamente
Acalmando o vento véio que sopra do meu peito-ventre
Se atente ou então invente
No mais certo, o mais certo é que agüente.

23 de janeiro de 2009

Você é um robô?


“Ninguém é mais irreversivelmente escravizado do que aqueles que falsamente acreditam ser livres.”


Johan Wolfgang von Goethe

18 de janeiro de 2009

"Transe" Cinematográfico- The Oscar goes to:


O melhor filme do ano de 2008, na minha opinião, e fugindo à contra-regra que diz que todo filme brasileiro mostra uma versão caricata de nós mesmos, e eu digo que esse não caminhou por essas trilhas, foi o filme “A Última parada 174” . A trilha percorrida pelo filme de Bruno Barreto foi a emoção em sua mais pura essência, e até parece ter pego uma câmera qualquer, transportado-a à um passado pela máquina do tempo e registrado a vida de um garoto , que levado por circunstâncias das mais singelas, acabou-se tornando uma potencial criminoso o levando à morte no fim da história , que é real , e na maioria todos já conhecem. A privação materna e nas ruas enfrentada pelo garoto e seus “companheiros” de “cela urbana” , mostrando desnudamente o desamparo das crianças na rua, frente a uma realidade mórbida, dói no mais fundo peito de quem tem um pouco de consciência e compaixão. É impossível não sair do cinema se sentindo muito mal, “really, really, really” mal. No filme, não se exagera a violência, a miséria, ela é mostrada como é. Contardo Calligaris, em uma de suas colunas, fala do conceito de “pitoresco”. Nessa coluna ele fala sobre outro filme brasileiro , o “Linha de Passe”, em que discute com o leitor sobre o debate acerca da "estetização" da miséria no cinema brasileiro. Ele argumenta que o grotesco como tipo de pitoresco, aproxima falsamente, garantindo que o outro pintado permanecerá outro: uma vinheta caricata. O filme “A Última parada 174” vai em contra-fluxo ao que ele diz. Neste caso o outro não permanece outro somente. É exatamente o contrário que acontece, pelo menos no que foi minha experiência e para aqueles que adentrem dentro de uma “obra de arte” desarmados e sem pré-conceitos. A identificação com a experiência emocional e traumática do personagem durante o decorrer do filme foi grande, mas inexpressiva para explicar aos leitores desse humilde blog, as conclusões que cada um possa chegar de acordo com suas próprias experiências pessoais.

10 de janeiro de 2009

Acima do céu


O que está acima do céu...?
Agacho humildemente
Minha camisa estampada brilha
E tento ter força para oferecer algo digno
Sincero como a tampa de uma garrafa
Acendo um fósforo
Permeio a vista e agradeço
Quem sente o fungo da compaixão
Estala o profundo Às do espaço
Tento entender minhas palavras mas não consigo
Elas não são ditadas por mim
Nem sei se as mereço
Não sei se mereço o céu.
O que está acima do céu é seu.

30 de dezembro de 2008

Bomba-relógio


Angústia morta que às vezes sub acorda e me caça como se eu fosse a última presa ...

Me espremo na cadeira com a impropriedade de um falso santo

Que acolhe e tenta subjugar o agressivo espanto que corre pelo já estafado corpo.

Tento drenar a fé, que não sinto ou pressinto em meus sintos-muito, obrigados, vai-à-merda...

Tento falar por códigos, mas meu canto perde realidade e encanto

A verdade é

Degenerado, cansado , passivo, esquecido

Meu frívolo narcisismo me deixa só

Só um quantum de poeira.
Nada mais...

10 de dezembro de 2008

Quero ser Eu


Quero ser um

Quero ser dois

Quero ser você

Quero ser eu

Não quero ser atlético,

nem simétrico

Quero ser eu mesmo

Quero seu eu

Quero mais

Quero você e eu

Quero e te venero

Apelo e quero ser Deus

Quero ser incoerente.

Ímpar como Agosto

Par como Setembro

Quem sabe assim

um dia eu aprendo.


26 de novembro de 2008

A Arte da Satisfação


A Arte de estar satisfeito
Reprime minha insatisfação
Abusa de minha maneira torta de tripudiar
Vomita um riso enfadonho, feio e dissimulado
No abandono que tu me ditas
Infinitamente despedaço.
Com quem vivo ou me aborreço
É obra da conveniência,
do insucesso, da ocasião.
Quando os pensamentos e palavras parecem fugir de mim
É porque a arte de estar satisfeito
Está atingindo sua imperfeição.

24 de novembro de 2008

Esporte, Rivalidade, e Fantasia


Tenho acompanhado ultimamente na mídia a mesma questão sobre a seleção brasileira de futebol: Será que os jogadores perderam o amor à camisa ?
Acho que a questão é mais complicada do que isso: Porque será que parece que eles perderam o amor à camisa?
A impressão realmente é de que eles não tem mais paciência de jogar pelo Brasil. Mas analisando friamente o problema, pode ser que a rivalidade vem sendo aniquilada tanto no futebol, envolvendo seleções, como em outros esportes. Com o intercâmbio de jogadores pelo mundo afora, há uma constante mescla de culturas. Vendo os jogadores entrarem em campo nos últimos tempos, pode-se perceber que todos atletas das seleções se conhecem e são “amigos”. Isso implica em uma perda real de fantasia de uma existência de rivalidade e competitividade, e como o esporte é movido por essa fantasia, muito se perde em uma realização de uma partida entre seleções, onde o dinheiro é poupado do significado do jogo e é deixado para um passaporte para as partidas de clubes. A graça tanto do esporte , como o da vida, vem da surpresa, do novo. Esperemos então um Brasil x Argentina, pois assim poderemos ver o verdadeiro futebol
.

23 de novembro de 2008

Vamos abolir certas regras ?


De vez em quando me aborreço e penso: Será que realmente temos uma cabeça pensante?
O mundo se enovela numa burocracia gigante, um buraco de idiossincrasias. Para que tantas regras inúteis, que seguimos como coelhinhos de páscoa embrulhados em papel crepom?
Mesmo não interessado em crescer, interessado em vencer, em crer ou escrever, o mundo vai girando, o tempo vai passando.
E as guloseimas burocráticas tomam conta de cada espaço, seja ele real ou virtual. Por que para sermos pessoas alegres temos de dizer Bom dia? Porque para amar verdadeiramente temos que dizer Eu te amo? E para escrever algo para publicar, um artigo ou seja lá o que for, temos que seguir as regras de descrever a bibliografia religiosamente como manda o figurino : Escreva o nome do livro, pule duas linhas, vírgula, sublinhe o autor, negrito, itálico , etc, etc, etc..
Ficamos enclausurados numa prisão criada por nós mesmos, e que nós mesmos temos as chaves para abri-la.
Apaixone, e te direi quem tu és...
Tenha perdas, sofra, e direi o que tu és...
A pergunta correta inicial aqui deveria ser:
Podemos ter certas liberdades, afinal?

19 de novembro de 2008

Saudades

Distância inencontrada
Assobio inesperado
Vindo do céu
Aviso meio amargo
Que jorra ausência e saudade
A partir do que disser
Será seu
A partir do que pensar
Será seu
A partir para amar quando de novo te encontrar


Poema dedicado à minha querida Vó Luiza (1921-2008)

12 de novembro de 2008

Impensado

Viverei ainda quanto tempo ,
Impregnado dessas imperícias internas
E abarcado por todas essas mazelas externas?
Confinado no tempo que eu criei.
Quando eu era jovem temia o futuro
Hoje temo o passado
O passado corre atrás de mim
E parece que está cada vez mais perto
Tento fingir, mas a ilusão é implacável
Pago por não enxergar o meu espaço
Pago por não vislumbrar o futuro
Escorre de mim a vaidade perdida
A infante inocência
A abóbora roubada
Quero voltar a sorrir, ter novos amigos, espelhar a beleza dos outros
Aliviar a tristeza de alguns
Ter saudades do que é para ter saudades
Reservar espaço para recuperar o que não foi perdido
Realizar o que ora me pareceu tirado e que sempre foi apenas sonhado
Quem se permite realizar o impensado?

4 de novembro de 2008

Por que escrevo?

Escrevo para libertar-me de minhas próprias dúvidas, frustrações e ilusões

Para me dirimir de meu futuro certo, que é a morte. Futuro de todos. Passado de quem?

Me sinto lubridiado por mim mesmo, não mais são nem relaxado.

Atento ao passado, com dó do futuro, com a vergonha de lado.

Porque não apenas ser? e ter afeição?

Se o produto da minha dor é apenas a Imensidão...

Ensaio sobre a cegueira IVIIVVIIX

Refletindo sobre o filme "Ensaio sobre a Cegueira" baseado no livro do Saramago, escrevo aqui minhas impressões:

Pimenta no sal
Às pressas vou falando
Tente outra vez
Pensei que ver é tudo
Mera perspectiva do ser
No encontro mais abafado do escuro
se abre a janela da mais gloriosa alma.

Amor


A maior frustração do amor não é perder a pessoa amada ou deixar de ser o objeto do amor do outro. A maior frustração do amor é poder vivenciá-lo em si mas não consumá-lo , ou não compartilhá-lo.


Infinito

Me escondo e apareço aonde ninguém nunca viu
Sinto o brasão forte da cor, que me diz em tons amarelo-esverdeados...
Se estou são
O cão,
Aquele que apareceu no sonho me disse
Medisse algo que não tenho como medir...
O infinito nos aborda através de diferentes fins,
Que fins são esses que sequer imaginamos?

Endereço antigo do blog

Para verem mensagens antigas, acessem:

http://cf.granello.zip.net/

Amém

Amena mente
A mesma mente que mente
é a mesma que sai, produz,...
a procura de angústia e sensação.
Amei a mente
Amamente,
Menos mente
Mais Coração!
Amém na Mente!
Soou como um refrão..
Indecifrável alusão

Abraço

Abraço a luz, a canção, o não.
Que me refere ao braço
As costas nuas sua
Me faz crer
Em poder ser um dia
Aquele que eu nunca me
tornei

Identidade

Extraviado pelo tempo
Tempo Oco...
No magro canto da sala
Me escorre pelos dedos
O sangue da vertigem
de ser Eu...